Aldeia do Xisto

Pena

A enamorada dos penedos

A aldeia e a ribeira

O coração de água da Pena

A Pena é uma aldeia enquadrada num cenário natural de rara beleza, com uma população permanente de cerca de 14 pessoas. Estende-se por um viso que vai morrer à ribeira da Pena, a cerca de 600 metros de altitude.

Esta ribeira é o coração da aldeia: é a sua água, conduzida em levadas, que rega os campos circundantes e assim permite a prática da agricultura há séculos. As suas águas são cristalinas, embora bastante frias, dada a sua proximidade da nascente e o facto de correrem sobre terrenos rochosos. O seu caudal nunca seca, sendo por isso aproveitado, nos meses mais quentes do ano, pelos habitantes locais e pelos visitantes, para banhos.

Ribeira da Pena — colocar fotografia

Penedos e montanha

Penedos de Góis e o Trevim

A natureza foi também extremamente generosa ao presentear a aldeia com os majestosos Penedos de Góis — ponto mais alto a 1.040 metros —, dos quais sobressai o “Penedo Abelha” (nome dado pelos locais), que assume os contornos de uma cara de leão de pedra.

Vários são os trilhos que permitem ao visitante explorar a beleza dos penedos e da sua magnífica envolvência. Nos meses mais rigorosos de Inverno é frequente os montes em redor da aldeia ficarem cobertos de neve — nomeadamente os Penedos de Góis e, com maior frequência, o Trevim, a 1.200 metros de altitude.

Penedos de Góis — colocar fotografia

Floresta e património

Os castanheiros centenários

A vegetação é abundante e variada. Um dos ex-libris da aldeia são mesmo os seus velhos castanheiros, que foram outrora a base de sustento dos habitantes locais. A importância que tiveram na economia local deixou as suas marcas na divisão das propriedades e na arquitetura de muitas casas — a existência dos caniços.

Na Pena existem castanheiros que terão vários séculos de existência. São um património histórico que interessa preservar, embora corram sérios riscos devido aos incêndios e à proliferação de árvores de crescimento rápido.

Descobrir

A envolvente em três caminhos

A zona ao redor da Pena — e toda a zona dos Penedos de Góis — é um local com uma fantástica biodiversidade. Trata-se de um território de montanha, no coração da Rede Natura 2000 — Sítio da Serra da Lousã —, atravessado pela ribeira da Pena, um afluente do rio Ceira, e que alberga um grande número de vertebrados e plantas.

Fauna

Com hábitos solitários e noturnos, pode-se ver com alguma sorte a raposa, a doninha, o gineto, a salamandra e a lontra. Já com mais facilidade se pode avistar o coelho, a lebre, o esquilo, o javali, o veado, a rã e o sapo. No céu, observam-se com facilidade a águia, o milhafre e uma variedade imensa de aves, bem como inúmeras espécies de insetos, como borboletas e libelinhas.

De noite, escutamos o cantar da coruja-das-torres e dos mochos e, na altura da brama (setembro/outubro), o dos veados que foram reintroduzidos na Serra da Lousã na década de 1990, no âmbito de um projeto gerido pela Universidade de Aveiro. A sua população tem aumentado a bom ritmo, ao ponto de já constituírem um grande atrativo turístico na região.

Flora

A floresta foi outrora dominada por espécies autóctones, destacando-se o castanheiro, o carvalho, o sobreiro, o azevinho e a urze, notando-se ainda a presença de algumas espécies cultivadas, como a cerejeira. Atualmente, existe uma grande presença do pinheiro-bravo e de espécies exóticas e invasoras, como o eucalipto e as mimosas. Ainda assim, a cor predominante é o verde-claro dos castanheiros, mantendo a essência única desta região montanhosa atravessada pela ribeira da Pena.

Os Penedos de Góis guardam uma história geológica de 460 milhões de anos.

Dobras da Pena

Os Penedos de Góis são dominados por xistos, formados a partir de sedimentos que se começaram a depositar no período Ordovícico, há 460 milhões de anos, numa zona que era, na altura, um mar de pouca profundidade. Com a movimentação das placas tectónicas e a altas pressões e temperaturas durante milhões de anos, estes sedimentos foram movimentados e alterados, dando origem às dobras e ao xisto que encontramos hoje.

O estudo das dobras tem vindo a assumir grande relevância para os geólogos, por permitir desvendar a história geológica de uma região. Ao redor da Pena, é possível apreciar várias dobras de uma beleza extraordinária, em plena zona dos Penedos de Góis.

Cruzianas

Nas rochas que vemos hoje encontramos vestígios — chamados icnofósseis — deixados pela deslocação de trilobites, um animal dominante nos mares da época, no fundo marinho. Os primeiros fósseis encontrados nos Penedos de Góis foram descritos em 1884 por Nery Delgado, tendo sido interpretados na altura como moldes internos de algas. Foram precisos muitos anos até se chegar ao esclarecimento do problema, não restando hoje quaisquer dúvidas de que se trata de rastos de trilobites deixados nas rochas quartzíticas do período Silúrico.

Alguns dos fósseis recolhidos nos Penedos de Góis por Delgado podem hoje ser encontrados no Museu Geológico de Lisboa, no Museu Nacional de História Natural e da Ciência e no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra.

A Pena é uma aldeia privilegiada não só na sua natureza envolvente, como nas atividades e percursos pedestres.

São vários os percursos que passam pela Pena — estes são os nossos preferidos.

Percurso Pedestre das Levadas
  • TipoCircular
  • ExtensãoAprox. 2,5 km
  • DuraçãoAprox. 1 hora
  • DificuldadeFácil
  • Partida/chegadaPonte da Pena
  • ÉpocaPrimavera / Verão

A aldeia da Pena é servida por duas levadas que, no pico do Verão, abastecem a aldeia e a agricultura em grande abundância — uma das grandes riquezas desta aldeia. Aproveitando o curso destas duas levadas, o percurso decorre sempre ao longo da ribeira da Pena, em terreno praticamente plano e sem grandes dificuldades. Recomenda-se começar pela levada do lado direito da ribeira, logo a seguir à ponte, num pequeno trilho que conduz até à represa — um ótimo local para piquenique. Depois de atravessar o rio de pedra em pedra, subimos até ao caminho da outra levada e regressamos à aldeia, com os Penedos de Góis como cenário.

Pelos Penedos de Góis
  • TipoLinear (ida e volta)
  • ExtensãoAprox. 5 km
  • DuraçãoAprox. 3 horas
  • DificuldadeFácil / média
  • AcessoPena – Góis
  • Partida/chegadaPonte da aldeia
  • ÉpocaPrimavera / Verão / Outono

O percurso inicia-se num pequeno trilho a cerca de 250 metros da ponte sobre a ribeira da Pena e proporciona diversas paragens para desfrutar das magníficas paisagens sobre a aldeia, o vale da Ribeira da Pena e o Trevim. A primeira parte, até ao cimo dos soutos, é a mais interessante em termos paisagísticos. O caminho leva depois até à aldeia dos Povorais, a 850 metros de altitude — a mais alta do concelho de Góis — e o regresso faz-se pelo mesmo caminho. Este percurso integra o PR9 GOI — Trilho do Baile.

Rota Tradições do Xisto
  • TipoCircular
  • Extensão9,2 km
  • DuraçãoAprox. 4 horas
  • DificuldadeMédia
  • Altitude600 m (Pena) – 770 m (Aigra Velha)
  • Partida/chegadaAldeia da Pena
  • SinalizaçãoNormas internacionais
  • ÉpocaTodo o ano (horas mais frescas)

Percurso sinalizado segundo as normas internacionais que liga a aldeia da Pena a outras aldeias de xisto da região, subindo até à Aigra Velha, a 770 metros de altitude, e que cruza vales, soutos e as tradições construtivas da serra.

Caminhada até à pedreira
  • TipoLinear (ida e volta)
  • ExtensãoAprox. 2 km
  • DuraçãoAprox. 1 hora
  • DificuldadeMuito fácil
  • AcessoPena – Góis
  • Partida/chegadaPena
  • ÉpocaTodo o ano

O caminho pedestre mais fácil, sempre por estrada alcatroada, acessível a pessoas com mobilidade reduzida e a carrinhos de bebé. Permite apreciar o enquadramento da aldeia, o vale da ribeira e a flora da região. Chegados à antiga pedreira, a paisagem é indescritível, junto dos abruptos precipícios. À noite, acompanhados de lanterna, é um local ideal para observar o universo: a Pena recebeu da Fundação Starlight a certificação internacional “Destino Turístico Starlight” da rede das Aldeias do Xisto, sendo um local de excelência para sky watching.

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